2016/12/06

Cipolla Colt (1975 / Realizador: Enzo G. Castellari)

Senhoras e senhores, damas e cavalheiros, preparem-se que isto vai dar molho! Enzo G. Castellari (realizador) e Franco Nero (ator) passaram-se completamente da mona! Só assim se explica a razão de terem feito este filme! Em 1975, os westerns-spaghetti violentos praticamente já não existiam e os westerns-spaghetti cómicos eram tão maus que até metiam dó! “Cipolla Colt” foi o primeiro western da parceria Castellari / Nero. Ambos sempre desvalorizaram este filme (claro, não são tolos!) alegando que era uma comédia dirigida às crianças e ao público mais jovem. O título deste filme em inglês é “Cry Onion”. É bastante adequado porque, de facto, isto dá realmente vontade de chorar! Em Portugal foi batizado de “O Cheiro Das Cebolas” mas até se podia chamar “A Revolta Das Cebolas”, “Bafo De Cebola” ou então “Excesso de Cebola Provoca Parvoíce Extrema” ou até mesmo “As Cebolas Fazem Bem à Saúde Mas Este Filme Não”!

Fazer cara de parvo é obrigatório neste filme!

Cebola Colt, um maltrapilho malcheiroso, viaja numa carroça carregada de cebolas. A carroça é puxada por Archibald, um cavalo muito esperto que tem um chapéu de palha na cabeça, que sabe assobiar e peida-se para afugentar os inimigos. Cebola Colt é um tipo que come cebolas como quem come maçãs. Manda um bafo que o pessoal até desmaia, espreme cebolas e bebe um nutritivo sumo de cebola tão forte capaz de derreter o copo! O tique que o homem tem no pescoço torna-o ainda mais esparvoado. Paradise City está repleta de torres e poços de petróleo. Ali, o ouro negro é rei e senhor. Os magnatas do petróleo, sediados em Austin, Texas, mandam a seu bel-prazer. Quem se atrever a levantar cabelo é pura e simplesmente eliminado. 

O sócio de quatro patas de Cebola Colt.

Foi o que aconteceu ao pai de dois miúdos que vivem no campo. Agora que são órfãos, vão receber a visita de Cebola Colt porque este acabou de comprar aqueles terrenos agrícolas. Cebola e as crianças vivem como querem: bebem vinho, fumam charutos, mantêm uma dieta equilibrada à base de cebola mas… os empresários do petróleo querem aquele terreno imediatamente. Dá-se então início a um conflito entre Cebola e o pessoal do petróleo, com o protagonista a demonstrar a sua perícia na arte de manejar as suas duas armas favoritas: a pistola e a cebola! Este distinto comedor de cebolas apaixona-se por uma mulher (e o seu amor é correspondido), com destaque para uma intensa conversa romântica entre ambos cujo tema é… as várias qualidades de cebola que há no mundo! Mas isto ainda não fica por aqui! 

Um parvalhão maneta.

O manda-chuva lá do sítio é um maneta que tem uma mão de chapa, o seu ajudante tem uma marrafinha e um bigode à Hitler, temos bicicletas e motas, trambolhões, chapadas (Cebola Colt transforma-se em Chapada Colt), perseguições em “fast-forward” ao estilo de Benny Hill e pontapés no cu à Charlie Chaplin. Guido e Maurizio de Angelis assinam o registo musical do filme e esta resenha chega ao fim porque já tenho lágrimas nos olhos com toda esta embrulhada!

2016/11/22

Dio li crea... io li ammazzo! (1968 / Realizador: Paolo Bianchini)

Nem o próprio Paolo Bianchini acreditaria que a sua primeira aventura no western-spaghetti fosse recordada quatro décadas depois do seu lançamento, mas aconteceu! Nesse longínquo ano de 1968, o artista fazia a transição da função de assistente para a cadeira de manda-chuva, ainda tinha por isso de aceitar projectos baratuchos como este. O argumento é de Fernando Di Leo, que se tornaria alguns anos depois num dos pesos pesados do policial italiano. Não sei se propositado ou não, Di Leo parece ter reciclado a história de "Sugar Colt", experimentada com sucesso dois anos antes pela mão do nosso bem-amado, Franco Giraldi. Pode até ser embirração aqui do alentejano mas a personagem principal parece sacada a papel químico. Ora vejamos, um pistoleiro a soldo com pinta de galã, investiga um caso mal explicado. No primeiro seria o desaparecimento de um regimento de soldados, aqui trocou-se o «capital humano» por um factor mais comum ao universo western: assaltos a carregamentos de ouro!

Deus cria-os, Dean Read mata-os! E ainda arranja tempo para nos cantar o tema "God Creates Them, I Kill Them".

Mas a categoria do supracitado, "Sugar Colt", é francamente superior. Giraldi como profundo conhecedor das manhas do género, soube bem como transformar uma ideia estapafúrdia num mini-clássico. Ainda assim, não descartem já este intento. "Dio li crea... io li ammazzo!" é um daqueles westerns em que há mais conversa do que propriamente tiroteio e porrada, coisa que demoverá alguns, porém interessa também exaltar as coisas boas, como é o caso do trabalho de fotografia de Sergio D'Offizi, francamente acima da média.

Dean Reed suposto espião na vida real, interpreta ele próprio uma espécie de 007 do western-spaghetti.

O papel principal do filme foi entregue a Dean Reed, que a rapaziada mais velha reconhecerá também de outras andanças. Reed iniciara anos antes da sua chegada a Itália, uma carreira enquanto cantor. Algo que lhe valeu fama em alguns países, nalguns terá mesmo atingido um reconhecimento popular superior ao do próprio Elvis Presley, imaginem só! As suas ideologias politicas valeriam-lhe a apropriada alcunha de Red Elvis. Bianchini relembra em entrevista incluída na "Koch Media - Italowestern Enzyklopädie No.2", as fortes convicções comunistas de Reed, que ao que as más línguas dizem, ter-se-à tornado espião e silenciado por tais actos. Os mais paranóicos acreditam que o seu suicídio foi mais um daqueles embustes que nos habituámos a ver nos filmes de espionagem da guerra-fria. Existe um documentário interessante sobre a vida do actor (Der rote Elvis), em que tudo isto se aborda mas francamente pareceu-me inconclusivo.

Pietro Martellanza é Don Luis del la Vega, um vilão à medida do nosso herói.

Fora de conspirações, o que a nós nos interessa é a habilidade do americano no manejo do revolver e afins. E amigos, nas cenas de acção a cavalo, o americano não falha. Pode até parecer irrelevante mas são estes pormenores que permitem que o realizador use planos mais elaborados e não aquelas filmagens manhosas a um quilómetro de distância, para esconder as fuças de um duplo qualquer.

Parece que alguém vai levar chumbo quente no bucho!

O tal DVD da Koch Media é excelente, o filme apresenta-se com uma imagem cristalina e com opções áudio para todos os gostos (inglês, italiano, alemão) e ainda a dita entrevista com o realizador, documentários, galerias e trailers. A edição aparece em formato pacote e contém ainda os filmes: "California", "Dio non paga il sabato", e "Campa carogna... la taglia cresce". Valeu os malvados euros!


Mais propaganda da barbarolândia:



2016/11/15

Un bounty killer a Trinità (1972 / Realizador: Joe D'Amato)


A cidade de Trinitá vive momentos dramáticos. O banco foi assaltado, todos os carregamentos de ouro são constantemente roubados, o xerife da cidade vive acagaçado e o exército não pode fazer nada porque está ocupado na guerra contra os índios. Os cidadãos mais influentes da cidade reúnem-se e mandam chamar o xerife federal de Dallas. Mas o “temível” xerife é um velho jarreta que facilmente cai na esparrela que nem um passarinho! Os bandidos, liderados pelos irmãos Sancho e Paço Navajeros, contam com o auxílio secreto de Pizarro (Antonio Cantafora), membro do concelho de cidadãos de Trinitá e principal espião / chibo / bufo. Esta situação não pode continuar e um membro do comité contrata secretamente Alan Boyd (Jeff Cameron), um caçador de prémios extremamente caro mas extremamente eficaz. 

O especialista prepara os seus instrumentos de trabalho. 

Boyd não tarda a apresentar resultados: encomenda ao cangalheiro uma dose industrial de caixões, apresenta-se na cidade como (falso) agente de seguros e os muitos avisos de recompensas que tem dentro do bolso significam muitos cadáveres e… muita cheta! As ferramentas do seu trabalho incluem um Colt, uma Derringer, uma Winchester, uma caçadeira, dinamite e… uma besta!

Uma espécie de Guilherme Tell dos westerns.

Em apenas 80 minutos de filme este exército de um só homem vai entrar em ação e vai ser profissional até ao fim porque como dizia o outro: “Modéstia à parte… mas eu sou bom”! Jeff Cameron faz lembrar o personagem Sartana (chapéu preto, roupas elegantes, gravata vermelha) e Antonio Cantafora é o vilão de serviço com uma cabeleira vistosa, um grande bigode a condizer e umas patilhas à reforma agrária.

Os maninhos Navajeros. 

Aristide Massaccessi sempre foi respeitado enquanto diretor de fotografia (nomeadamente nos westerns de Demofilo Fidani). Ao assumir a cadeira de realizador trabalhou sob inúmeros pseudónimos mas foi sob o pseudónimo de Joe D’amato que alcançou a fama em géneros cinematográficos como o terror, o erotismo e a pornografia. Joe D’amato faleceu no dia 23 de janeiro de 1999.


2016/11/01

Lançamentos | "Eine Bahre für den Sheriff (Una Bara per lo sceriffo)"


A Colosseo lança em Novembro, "Una Bara per lo sceriffo". Western mediano da chancela de Mario Caiano e que conta com o taciturno Anthony Steffen no papel principal. Esta edição contará ainda com diversos extras, incluindo entrevistas com o realizador e  Francesco de Masi.

2016/10/25

Black Killer (1971 / Realizador: Carlo Croccolo)

Tombstone é uma cidade apavorada! O medo deve-se à violência que os irmãos O’Hara exercem sobre a população. Assaltos e homicídios são o prato do dia. O juiz é um malandro corrupto e o xerife é tão inútil que depressa acabam com ele. O advogado James Webb (Klaus Kinski) chega à cidade. Elegantemente vestido de negro, Webb vem carregado de livros muito importantes, muito especiais e muito misteriosos. Procura saber rapidamente o que se passa naquela localidade e, sendo um advogado abelhudo, mete o nariz (discretamente) em todo o lado: espreita pelas janelas, ouve atrás das portas, esconde-se atrás dos cortinados e nunca se separa de, pelo menos, um dos seus essenciais tomos da lei. Com pezinhos de lã e constantemente a recorrer ao paleio técnico (cita artigos da lei), o advogado Webb cedo percebe que o juiz é um ciganão e que não tem intenção nenhuma de acabar com a corrupção.

Preparando a artilharia.

Enquanto isso, um tal Burt Collins chega a Tombstone. O homem tem o dedo leve no gatilho e Webb insiste que o tipo seja nomeado xerife. Com a estrela ao peito, Collins limpa a cidade (com a extraordinária ajuda da sua cunhada índia especialista em arco e flecha) e o advogado mantém-se nos bastidores com os seus inseparáveis livros. Mas que raio de livros serão aqueles? “Black Killer” é um dos 7 westerns que o ator Klaus Kinski fez no ano de 1971. É um filme fraco, com uma montagem descuidada e que recorre a alguma nudez feminina para evitar que o pessoal se deixe dormir durante os 90 minutos que o filme dura. Alguns perguntar-se-ão como é que um ator de prestígio como Klaus Kinski aceitava estes papéis nestas produções rascas.

Este artigo da lei é mortal!

Eis a resposta: “A certa altura eu já nem me dava ao trabalho de ler argumentos. Nem queria saber! Chegava lá, fazia o que tinha a fazer, recebia o dinheiro e ia-me embora!” E quanto aos westerns-spaghetti, concretamente: “Muitos e muitos westerns que fiz em Itália”, dizia Kinski, “cada um pior do que o outro! E os seus pseudo-realizadores ainda mais incompetentes! E quanto mais incompetentes eles eram mais hostis se tornavam! Mas pagavam-me bem e isso é que me interessava. Com o estilo de vida que eu levo preciso de trabalhar.”

Sangue!!

De facto, ao ler a sua autobiografia, eu próprio constatei que Klaus Kinski levava uma vida absurdamente cara: 7 Ferraris, 6 Rolls-Royce, 3 Maseratis, várias mansões, apartamentos e palacetes na Europa e na América, viagens, banquetes, champanhe, caviar e muitas putas è discrição! Chegou a ganhar um salário astronómico de 50 000 Marcos por dia mas… será que era suficiente para cobrir todas estas despesas loucas? Excêntrico e genial para uns, alucinado de merda que não respeitava nada nem ninguém para outros, Klaus Kinski era mesmo assim: um homem de extremos. Com ele, ou oito ou oitenta!

2016/10/11

Fora de tópico | Lançamento "Zeig mir das Spielzeug des Todes (Il giorno del giudizio)"


Sugestão para gente de estômago forte, "Il giorno del giudizio", um dos centos revenge spaghetti-westerns, e quem sabe um dos piores da pilha. Já está à venda na loja alemã da Amazon

2016/10/08

Fora de tópico | Lançamento "Zwei Halleluja für den Teufel (Abre tu fosa, amigo, llega Sábata...)"


Aparentemente os nossos amigos da barbarolândia conseguiram uma versão do pseudo Sabata "Abre tu fosa, amigo, llega Sábata...", ligeiramente maior daquela que circula por aí. Audio alemão e espanhol, para variar. Está a preço de amigo na Amazon alemã.

2016/10/05

Fora de tópico | Lançamento "Captain Apache"


Parece que a Wild Coyote está focada em dar continuidade ao seu catálogo de westerns europeus. Desta vez a adição foi "Captain Apache", para muitos um filme maldito com Lee Van Cleef ao leme. Já podem compra-lo na Amazon alemã.
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